As manifestações do dia 15 de março tiveram sua origem organizativa nas redes sociais, por meio de pequenos grupos de direita (ou “nova direita”, segundo propôs Valério Arcary em recente texto neste blog)[4] e extrema-direita, cujos discursos contra o governo tiveram como mote o combate ao “comunismo”, ao “bolivarianismo” e – claro, sempre ela – “à corrupção”, antiga consigna sempre atrativa aos estratos médios de jaez conservador. Muitos de seus organizadores anelavam o impeachment da Presidente ou mesmo um golpe militar. Contudo, nas últimas semanas que antecederam aos atos, em especial nos dias imediatamente anteriores àqueles, a Oposição de Direita, ou melhor, seu núcleo duro tradicional, o Partido da Social Democracia Brasileira e seus aliados midiáticos, encampou as convocatórias, amplificando-as. Desde então, a Oposição de Direita tradicional, dirigida pelos tucanos, obteve uma hegemonia, ainda que não plena, no processo mobilizatório, conseguindo amainar o teor reacionário dos atos, que passaram a ter como divisas centrais o “Fora PT” e o “fim da corrupção” etc. As manifestações do fim de semana passado podem ser descritas, portanto, como manifestações lideradas pela Oposição de Direita. Foram convocadas por ela, organizadas por ela, e dirigidas programaticamente por ela, a ala hard do neoliberalismo brasileiro e polo direito do regime democrático-blindado do país. Sob sua égide, ainda que com relativa autonomia, marcharam diversos grupos reacionários exóticos e toda uma vasta fauna proveniente dos estratos médios conservadores semiletrados[5] que, mesmo durante o fastígio do petismo no poder, tiveram suas consciências formatadas por pseudointelectuais de direita (Arnaldo Jabor, Marco Antonio Villa, Nelson Motta, Diogo Mainardi e consortes), os quais, conquanto ignorados nos ambientes científicos, gozam, na qualidade de “especialistas”, de vultoso espaço nos mass media.[6]
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