GUERRA DO ULTRAMAR: OPERAÇÃO MAROSCA - O MASSACRE DE WIRYAMU
Guerra Colonial
GUERRA DO ULTRAMAR: OPERAÇÃO MAROSCA - O MASSACRE DE WIRYAMU
Muitas vezes somos confrontados com filmes da guerra do Vietname e da heroicidade dos soldados Americanos. Esquecemo-nos que Portugal teve a sua guerra e não numa só frente, mas em várias frentes. Uma guerra que talvez tenha sido tão dura, ou ainda mais, do que a do Vietname.Como não temos a poderosa industria cinematografica que tem os USA, pouco sabemos dos episódios dessa guerra sangrenta. Por isso, esta é uma oportunidade única de tomarmos contacto com um dos episódios negros da nossa guerra do ultramar e do inferno que ela constituiu para as povoações e para os nossos soldados. Conhecida como "Operação Marosca", nunca foi oficialmente reconhecida, no entanto é inegável que algo se passou naquele dia fatídico.
O episódio deu-se em Moçambique na região do Tete, a 16 de Dezembro de 1972, vindo a ser denunciado pelo padre católico Irlandês Adrian Hastings a uns missionários Espanhois. Os relatos afirmam que as tropas Portuguesas (victimas de inúmeras emboscadas por denuncias dos habitantes dessas aldeias que lhes causavam a morte, há que dizê-lo) bombardearam com aviões e desembarcaram de 5 helicópteros nessas aldeias, tendo cercado as aldeias e matado cerca de 400 pessoas.
Estes relatórios foram usados contra o governo Português, por Nações estrangeiras com interesses em África e por partidos políticos Portugueses, então proíbidos e na clandestinidade, como forma de pressão para acabarem com a guerra e darem a independência aos territórios então em guerra, pelo que se pensava terem sido exagerados. No entanto, é sabido que em todas as guerras há excessos.
25 anos passados, o então comandante da companhia de Comandos que executou as ordens, arrisca a vida e volta ao local onde tudo aconteceu, para saber o que realmente aconteceu e se o que os relatórios contam são verdade.
Aqui tem revelada toda a informação acerca deste terrível episódio, com relatório das victimas, relatos de sobreviventes, descrições e imagens dos acontecimentos com pormenores que podem afectar a sua sensibilidade.
Trata-se sem dúvida de um documento que mostra a crueldade de todas as guerras em geral, e em particular da pressão a que estiveram expostos os nossos soldados.
Lembro que de forma alguma podemos, a esta distancia e fora desse ambiente, julgar o comportamento de quem quer que seja (nem é isso que se pretende com esta publicação) até porque em primeiro lugar, esses soldados cumpriram ordens. Apenas pretendo lembrar uma época pela qual muitos dos nossos familiares passaram e alguns estiveram expostos. Portugal não tem de receber lições de nenhum País, acerca de ser Patriotas, lutar pela Pátria, grandes soldados, heróis de guerra, guerras brutais ou sobre ações de solidariedade e defesa das populações que ficam muito bem nas telas dos cinemas de alguns Países. Também nós tivemos as nossas guerras e os nossos heróis. Feliz ou infeli