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#18 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA - LIMA BARRETO - PARTE 8

2024-10-02 3 Dailymotion

Na leitura do último episódio, Isaías fala de um sujeito, Deodoro Ramalho, que conseguia publicar seus versos no jornal, apesar da baixa qualidade literária, por ter boas relações. O narrador diz que ele era considerado na faculdade de medicina pela circulação como literato no jornal, e no jornal era admirado por ser estudante de medicina, sugerindo que ele não sabia nada nem em uma área nem na outra, mas conseguia posições pelo sobrenome e porque tinha olhos azuis. Então Isaías nos conta como nasceu essa pseudo-celebridade.
Vimos que um crime acontecido em Santa Cruz, local do Rio de Janeiro, deixa a redação em polvorosa. Os cadáveres foram encontrados decapitados e há mistério sobre quem seriam. Lima encerra o capítulo 10 com uma grande ironia: entra na redação um jovem médico, chamado Franco de Andrade, com a teoria de que podia descobrir a raça dos cadáveres com um exame de mensurações antropológicas, que, claro, ele mesmo faria. O Globo publicou os conselhos de Andrade e imediatamente o chefe de polícia escalou o jovem médico para o exame. 24 horas depois o jornal publicava o laudo do sábio dizendo que se tratavam de mulatos. Todos os outros jornais reproduziram o laudo, jogando confetes em Andrade. Quando finalmente acharam os documentos das vítimas em um hotel, e eram italianos, não mulatos, o prodígio já estava assumindo o cargo de diretor do serviço médico-legal da Polícia do Distrito Federal, sem que ninguém se animasse a questionar o seu talento! Mais uma vez o autor sugere a pouca criticidade do leitor brasileiro, portanto, e o quanto pessoas rasas de talento escalam socialmente em função do biotipo e do sobrenome.