Contaram uma história diferente
A imaginação do povo
Contaram uma história diferente
A imaginação do povo
Nas terras de fome e secura
Contaram uma história diferente
A imaginação do povo
Inventa coisa e passa pra frente...
Quatro sombras desbravavam o solo da caatinga,
Poeira cobria o caminho de desatino
Três carregavam espingarda e coragem,
Maria seguia firme ao lado de Virgulino
Filhos da seca, da fome e da sina,
Jurados no sangue, na poeira do sertão.
Cada passada pesava destino,
Cada emudecer guardava um coração.
Virgulino, bruto de coragem até nos dentes,
Maria de valentia, ensaiava um repente .
Na cruz da estrada juraram ficar,
Quem quebra a palavra não pode escapar.
Longe da serra morava um tenente,
Carrasco dos pobres, senhor do terror.
Esperavam o dia da grande emboscada,
Para cobrar tantos anos de dor.
Bastião vigiava calado o caminho,
Tonho sonhava partir sem voltar.
Via outro mundo além da caatinga,
Onde nem guerra pudesse alcançar.
Quando o galo rompeu a calmura da mata,
Tonho fugiu procurando outra luz.
Mas caiu na cilada armada na estrada,
Condenado diante da própria cruz.
Virgulino jurou sobre a terra rachada:
"Cangaceiro meu nunca trai camaradagem."
Só o vento ouviu aquela promessa,
Feita na noite sem lua nem miragem.
Virgulino, bruto de coragem até nos dentes,
Maria de valentia, ensaiava um repente .
Na cruz da estrada juraram ficar,
Quem quebra a palavra não pode escapar.
Conta o povo das localidades distantes
Que Tonho voltou sem corpo nem paz.
Virou assombração das veredas secas,
Levando desgraça ao redor de onde jaz.
Maria chorou sozinha espantada ,
Bastião tombou sem tempo de lutar.
Virgulino perdeu toda esperança
Quando viu o destino se completar.
Num velho juazeiro calou sua história,
Entregou a vida à solidão.
Fecharam-lhe as portas do céu dos valentes,
Restou caminhar como alma em aflição.
Maria virou santa do povo sofrido,
Vela acesa e punhal sobre o oratório
Quem passa na feira faz sua promessa,
Pedindo coragem para vencer qualquer purgatório.
Virgulino, vulgo lampião, virou tradição,
Maria Bonita permanece no coração.
Cordel e viola repetem a sina:
Na mitologia do sertão ninguém está acima
Quem vive de tiroteio conhece o final;
Toda escolha cobra seu preço fatal.
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Astrikos Katoikos
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