A crise econômica e a dificuldade de acesso ao crédito formal têm impulsionado a atuação de organizações criminosas de agiotagem, que utilizam métodos distintos para garantir lucros exorbitantes e a quitação de dívidas. Enquanto agiotas colombianos operam de forma integrada, com cobranças de juros diários entre 6% e 20% e táticas de perturbação em comércios, os agiotas brasileiros se destacam pela violência física extrema, agindo sozinhos ou em duplas, invadindo residências e perseguindo familiares das vítimas, inclusive crianças.
Segundo as investigações da Polícia Civil, detalhadas pelo delegado Raphael Boechat, há uma clara distinção entre o modo de agir dos dois grupos. Os colombianos possuem uma estrutura hierárquica: chegam ao Brasil para trabalhar na "cobrança de rua", vivem em residências coletivas e, com o tempo, ascendem a cargos de gestão regional. A principal estratégia é a pressão psicológica e econômica, ocupando o estabelecimento comercial da vítima durante todo o dia para espantar clientes e subtrair objetos.
Em contrapartida, os brasileiros tendem a ser mais agressivos fisicamente. Eles utilizam armas de choque, pedaços de pau e filmam sessões de tortura e espancamento para compartilhar em aplicativos de mensagens, usando o medo como exemplo para outros devedores. Além disso, agridem parentes idosos e chegam a exigir que mulheres, as vítimas preferenciais, realizem programas sexuais como forma de pagamento.