O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, promovido pela Band na noite deste domingo (23), não contou com a presença dos dois principais nomes liderando as pesquisas: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Além deles, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também não compareceu.
Motivações e critério de convites
A ausência do candidato à reeleição se deu pelo descontentamento da campanha petista em relação à seleção dos participantes. Dos 13 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seis foram convidados. De acordo com a Lei 9.504/1997, as emissoras são obrigadas a convocar apenas postulantes de partidos que contam com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional.
A regra dispensava a obrigatoriedade dos convites a nomes como Renan Santos (Partido Missão) e Romeu Zema (Novo). Apesar disso, Zema optou por não ir ao evento, deixando a bancada aberta para o embate entre candidatos que tentam romper a polarização, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Estabilidade das pesquisas e decisão do eleitor
A opção por não comparecer reflete o cenário captado pelos levantamentos eleitorais mais recentes de agosto (Meio/Ideia, Genial/Quaest e BTG/Nexus). As pesquisas apontam alto grau de decisão de voto entre os eleitores — variando de 66% a 78% —, com apenas uma minoria admitindo a possibilidade de mudar de posição até outubro.
Esse cenário traz segurança para a estratégia de "não-comparecimento" (no-show) da polarização PT-PL:
Lula: Registra 86% de intenção de voto convicta (BTG/Nexus).
Flávio Bolsonaro: Registra 82% de eleitores decididos no mesmo levantamento.
Gestão de danos e histórico eleitoral
A estratégia de faltar a debates no primeiro turno para evitar exposição e eventuais deslizes é recorrente no histórico político brasileiro desde 1989. O mesmo ocorreu com Fernando Collor (1989), Fernando Henrique Cardoso (1998) e o próprio Lula (2006).
Enquanto o faltaço traz poucos prejuízos diretos para os líderes nacionais neste momento, o movimento gera custos políticos indiretos para palanques regionais em estados-chave. Aliados do PT e do PL em São Paulo e no Rio de Janeiro perderão tração ao criticar ausências de adversários locais em debates futuros, dada a incoerência do posicionamento adotado no plano federal.