Michel Temer faz um balanço crítico do terceiro mandato de Lula, aponta falhas de diálogo e analisa os desafios para a reeleição em 2026. Em entrevista ao Amarelas On Air, o ex-presidente reconhece a popularidade de Lula, mas diz que faltam diálogo político, teto de gastos e coordenação nacional da segurança pública.
No programa Amarelas On Air, da revista VEJA, o ex-presidente da República Michel Temer avalia o atual governo do presidente Lula e comenta os trunfos e dificuldades do petista na corrida pela reeleição em 2026.
Temer reconhece que Lula recuperou popularidade após momentos de desgaste e afirma que ele segue sendo um líder popular — assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, aponta como principal fragilidade a falta de diálogo com o Congresso e com a sociedade. Para ilustrar, compara a aprovação da reforma trabalhista em seu governo, construída após meses de conversas, com episódios recentes, como o envio de medidas fiscais sem negociação prévia, que acabaram gerando conflito entre os Poderes.
O ex-presidente também critica a ausência de um teto claro para os gastos públicos, defendendo que a disciplina fiscal foi essencial para reduzir inflação e juros durante seu mandato. Outro ponto destacado é a segurança pública. Temer diz que recriaria um ministério específico para coordenar ações nacionais e lembra a experiência do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), implementado em seu governo com o então ministro Raul Jungmann.
Sobre a PEC da Segurança Pública, Temer diz não ter objeção à coordenação nacional, mas alerta para o risco de a União interferir em competências constitucionais dos estados. Para ele, enquanto esteve no plano da legislação ordinária, o modelo funcionou bem.
Ao comentar o crescimento do poder do Congresso sobre o Orçamento, por meio das emendas parlamentares, Temer afirma que o país caminha, na prática, para um modelo próximo do semipresidencialismo, no qual Legislativo e Executivo compartilham a responsabilidade pela governabilidade. Defende equilíbrio e fiscalização rigorosa para evitar distorções.
Por fim, Temer rebate críticas sobre a idade de Lula, levantadas em artigo da The Economist. Para ele, a idade, por si só, não é fator impeditivo. “Só seria um problema se houvesse deficiência cognitiva ou de saúde. O simples fator etário não impede uma candidatura”, afirmou.
▶️ Assista à entrevista completa e veja como Michel Temer analisa o governo Lula, as eleições de 2026 e os caminhos institucionais do país.
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