Havia um homem de retidão.
Seu tesouro era pequeno:
Um reb" />
Havia um homem de retidão.
Seu tesouro era pequeno:
Um reb"/>
Lá no alto da colina,
Havia um homem de retidão.
Seu tesouro era pequeno:
Um rebanho e seu coração.
Cada cabra tinha história,
Cada vaca era de estimação.
Veio a bandidagem pela fronteira,
Veio a fumaça pelo ar.
Bandoleiros do deserto
Prometiam saquear.
Fugitivos de Sancho Pança
Nada queriam poupar.
"Antônio, salva esta gente!
Antônio, vem acudir!
Se cair nossa morada,
Nada resta por aqui!"
Toda a vila suplicava:
"Só você pode acudir!"
Sem cobrar uma moeda,
Nem pensou no próprio bem.
Deu as cabras do curral,
Deu todo seu gado também.
Ficou pobre numa tarde
Mas não viu gente ir pro além!
Os invasores aceitaram
O resgate oferecido.
Foram embora pela estrada,
Sem um golpe desferido.
Cada casa permaneceu
Sobre o solo protegido.
A cidade fez promessa
De jamais o esquecer.
Jurou festa em sua honra
Ao primeiro entardecer.
Mas promessas, quando morrem,
Quase ninguém quer reconhecer
Foi Antônio quem salvou!
Foi Antônio quem perdeu!
Mas a glória foi tão breve
Quanto a fumaça que se deu.
Toda palma recebida
Com o tempo emudeceu.
Já não havia vaca alguma,
Nem cabrito no quintal.
Seu celeiro permanecia
Num vazio desigual.
Quem salvou toda a cidade
Conheceu penúria ao final.
É triste! Se escuta pela feira:
"Foi dever que ele cumpriu."
Outro diz: "Não fez mais nada!"
Outro sequer o viu.
Quem não paga a gratidão
Há muito já se traiu.
Não atirem em Antônio!
Foi Antônio quem doou!
Cada pedra que lhe lançam
Sobre todos já pesou.
Uma vila permanece
Porque um homem se acabou.
Quando a lua beija os montes
E o vento percorre o vale,
Ainda contam sua história
Sem que a memória se cale:
Há cidades que se salvam,
Mas sua alma já não vale.
__________________________
Astrikos Katoikos
Copyright ©️ 1989
Todos os Direitos Reservados ®
#astrikoskatoikos #blues #ingratidão #ingratidao #sanchopanza