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Olho para as minhas mãos e vejo linhas que só eu posso mover.
Cruzo com mil rostos na calçada, cada um com um mundo a proteger.
Oito bilhões de batimentos cardíacos retumbando no mesmo chão,
Mas eu só escuto o compasso que bate no meu próprio peito, em solidão.
Por que eu nasci do lado de dentro desta pele e não de outra qualquer?
Por que sou eu quem sente o frio dessa chuva que o céu quer?
O que é ser si mesmo quando o mundo é um mar de gente?
Uma gota que pensa, um espelho que sente.
Eu poderia ser o outro, ver o sol por outro olhar,
Mas fui condenado, e salvo, a ser eu mesmo neste lugar.
Apenas eu. Ninguém mais pode habitar o meu pensar.
Janelas acesas nos prédios da noite, cada uma é uma vida real.
Histórias inteiras, amores, desgraças, em um plano bidimensional.
Para eles, eu sou só um vulto que passa na pressa da rua escura,
Mas por dentro eu sou o centro do cosmo, uma chama que queima pura.
Ser "eu" é esse susto constante de
não ser o sujeito ao lado,
É o peso e o milagre de um nome que me foi dado.
Se eu fechasse os olhos agora, o universo continuaria a girar
Bilhões de consciências iriam acordar, sorrir e chorar...
A máquina do mundo não para se uma peça decide sumir.
Mas para mim, o infinito acaba se eu deixar de existir.
É a solidão mais radical: ser a única testemunha do que sou. Eu, total!
O que é ser si mesmo quando o mundo é um mar de gente?
Uma gota que pensa, um espelho que sente.
Eu poderia ser o outro, ver o sol por outro olhar,
Mas fui condenado, e salvo, a ser eu mesmo neste lugar.
Apenas eu. Ninguém mais pode habitar o meu pensar.
Oito bilhões de mistérios ambulantes.
E eu aqui, trancado em mim, olhando as estrelas distantes.
Ser eu... é tudo o que eu tenho.
E é tudo o que eu sou... E mantenho.
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Astrikos Katoikos
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