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Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó,
teu nome retumba onde o mundo é só.
Senhor do ferro e das encruzas do mundo,
mestre da magia, sábio do submundo.
No berço da noite, quando os vivos respiram ferro,
ergue-se Ferrabrás, o senhor do desterro.
Seu olhar é brasido, sua voz, fundamento,
seu passo desenha o próprio tempo.
Entre brasas e ventos, ele forja a lei,
com martelo de fogo e sangue de rei.
Nas veias corre enxofre, na alma, clarão,
e em suas mãos, o peso da criação.
Traz nos olhos a lembrança do que ninguém viu,
nas costas, o aço que o destino fundiu.
Entre o inferno e o altar, ele é ponte e abismo,
caminha no meio, dono do seu ritmo.
Bebe cachaça com santos e deuses antigos,
fala com os mortos como velhos amigos.
No ferro da encruza grava seu mandamento:
“a dor é o preço do discernimento”.
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó,
teu nome retumba onde o mundo é só.
Senhor do ferro e das encruzas do mundo,
mestre da magia, sábio do submundo.
Nas tuas mãos, a espada é prece,
o destino obedece, o medo esquece.
O diabo te respeita, o anjo te saúda,
teu reinado é a estrada nua.
Não há mentira que resista ao teu olhar,
nem vaidade que ouse te enganar.
Caminhas com pés firmes sobre o destino,
como ferreiro que molda o divino.
Nos portais do tempo, tua voz ecoa,
como tambor de maré em lua boa.
É o sopro que desperta o que dorme,
a espada que corta o erro conforme.
Suas palavras são fogo, tua presença é lei,
e quem te chama, sente quem és e o que sei.
Não há feitiço que não te reconheça,
nem alma que resista à tua sentença.
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó,
teu nome retumba onde o mundo é só.
Senhor do ferro e das encruzas do mundo,
mestre da magia, sábio do submundo.
Quando a guerra estala e o mundo se parte,
é tua mão que segura o estandarte.
Não há inferno que te amedronte,
nem paraíso que te desaponte.
O senhor é o meio, o início e o fim,
ferreiro do cosmos, moldando o ser em mim.
Suas brasas acendem a fé escondida,
Seu ferro tempera o sentido da vida.
Sob seu olhar, o tempo se submete,
a morte recua, o ódio se arrepende.
Sua presença é força, sua sombra é altar,
Seu nome ninguém ousa profanar.
Ferrabrás, senhor do ferro e da cruz,
és lâmina e verbo, és dor e luz.
No breu do mundo sua tocha acende,
e até o arcanjo, quando te ouve, compreende.
Salve Ferrabrás, rei do fogo e do pó,
teu nome retumba onde o mundo é só.
Senhor do ferro e das encruzas do mundo,
mestre da magia, sábio do submundo.
Ferrabrás, guardião do ferro e do além,
Sua lei é dura, mas justa também.
Entre brasas e ventos, seu trono reluz,
Exu do ferro, senhor da luz...
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Astrikos Katoikos
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