O Marquinho da Equinox fazia cara ruim,
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O Marquinho da Equinox fazia cara ruim,
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Na vitrola da loja nenhuma banda parava.
O Marquinho da Equinox fazia cara ruim,
Mesmo assim tocava o disco inteiro,
Talvez porque esquecesse de mim.
Eu decorava cada passagem
Antes de conseguir comprar.
Voltava outra vez no sábado,
Só para tornar a escutar.
Ônibus lotado.
Mochila nas costas.
Moedas contadas no bolso do jeans.
Chuvarada entrando pelas portas
O ingresso dobrado,
A viagem não tinha fim...
Na última fila alguém gritava
O nome da banda sem descansar.
Nem conhecia quem estava ao lado...
Já éramos do mesmo lugar.
Ninguém perguntava sobrenome.
Ninguém queria parecer.
Bastava vestir a mesma roupa preta,
Para se reconhecer.
Se o palco media quatro passos,
Pouco mudava a dimensão.
Cabia um país inteiro
Dentro daquela geração.
Quando a luz desaparecia,
Toda conversa na hora se calava
A caixa soltava o primeiro acorde,
O restante perdia qualquer palavra.
Não existiam telefones
Filmando cada refrão.
Só isqueiros e olhos gravando lembranças
Que até hoje recusam corrosão.
Município de Piau,
Anos oitenta...
Oh, Anos oitenta...
Robertinho do Recife
Cólera, Attomica e ninguém se aguenta.
Dorsal Atlântica e Azul Limão
Naquele tempo nao havia solidão!
Hoje encontro mil cabelos brancos.
Outros já não posso nem abraçar.
Mas quando aquelas bandas começam,
Voltam da morte ao mesmo lugar.
Não por saudade besta.
Nem porque o tempo foi melhor.
É que se aprende, naqueles acordes,
A nunca aceitar ser menor.
Ainda escuto aquela noite
Respirando dentro de mim.
Enquanto um riff abrir caminho,
Ela jamais terá fim...
Não foi apenas Heavy Metal.
Foi uma forma de existir.
E quem levou aquilo nas veias,
Nunca deixou de seguir...
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Astrikos Katoikos
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