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Não houve berço para minha origem,
nem genealogia a registrar;
a própria desmedida do princípio
aceitou meu poder sem hesitar.
Os códices mudam de caligrafia,
os tronos sucumbem à sucessão;
eu assisto a cada liturgia
como quem observa encenação.
Samurai Jack!
Outra investida?
Outra expedição?
Magnífico delírio,
admirável vocação.
Sua lâmina proclama
eterna oposição;
meu riso recompensa
tamanha determinação.
Revisto-me de escamas,
de penhasco, vendaval;
assumo qualquer aspecto
sem alterar meu essencial.
Aquilo que contemplam
é simples imagem;
jamais minha substância,
jamais minha linhagem.
Nenhum oráculo me define,
nenhum tratado me conclui;
todo conceito vacila
quando minha presença flui.
Chamam-me demônio,
chamam-me soberano;
nenhum vocábulo comporta
o alcance do meu plano.
Confesso, samurai:
há mérito em sua insistência.
Séculos não dissolveram
essa singular persistência.
Fracassa...
e regressa
Recua...
e retorna.
Transformou a derrota
na mais refinada ciência.
Samurai Jack!
Prossegue!
Não modere o fervor.
Sem sua insolência
empobrece meu humor.
Cada duelo renova
meu régio esplendor;
é o único adversário
digno de meu favor.
Quando a derradeira página
dispensar o escriba,
quando a memória
Renunciar da própria noção,
restará uma pergunta
sem qualquer solução:
quem sustentou o espetáculo?
A espada de Jack...
ou Abu?
Eis a questão!...
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Astrikos Katoikos
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