Desgaste severo na imaginação.
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Desgaste severo na imaginação.
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Três invernos naquele portão,
Desgaste severo na imaginação.
Eu via tábuas caindo no chão,
Mas só ouvi metal em fricção.
Cheiro amargo de café queimado,
Canivete gasto no meu casaco.
Meu dedo treme, nem sei explicar,
O peito esquece como respirar.
Nem saiu daquela velha cadeira,
Nem mudou a mancha sobre a madeira.
Olhos gastos, sem qualquer clarão:
"Você cresceu, continua sem direção."
Nem insultou, nem quis discutir,
Nem teve força para reagir.
Eu compreendi sem querer aceitar:
Já não existia ninguém pra enfrentar.
O ódio foi domado...
O ódio foi esgarçado...
Afiei o punhal e perdi a razão.
Anos e anos na mesma prisão.
Quem eu caçava já nem lembro.
Vivi uma guerra íntima, um tormento!
Trabalho sujo, sem promoção,
Pago em cansaço e decepção.
Carrego o peso sem receber...
Nenhum ódio paga pra viver...
Calendário preso em outro ano,
Gordura velha manchando minha roupa.
Toda noite sem fechar os olhos
Virou poeira grudada na boca.
Esperei o teto desabar,
Esperei o remorso aparecer.
Só o calendário congelado insistia
Em se reviver, em nunca perecer.
Não teve queda.
Nem teve glória.
Muito menos confissão.
E nem mesmo julgamento.
Só duas vidas consumidas
Por um passado sem pagamento...
Afiei o punhal e perdi a razão.
Anos e anos na mesma prisão.
Quem eu caçava já nem lembro.
Vivi uma guerra íntima, um tormento!
Trabalho sujo, sem promoção,
Pago em cansaço e decepção.
Carrego o peso sem receber...
Nenhum ódio paga pra viver...
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Astrikos Katoikos
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