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Antes da própria caligrafia.
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A infância soletrou calibres
Antes da própria caligrafia.
O assalto ganhou cidadania,
A solidariedade perdeu utilidade.
As avenidas não conduzem.
Selecionam sobreviventes.
Cada semáforo interrompido
Celebra um pacto inconveniente.
Violência
E banalidade
Decadência
Da sociedade
A tragédia urbana aprendeu Teologia:
Canonizou a desconfiança.
A hospitalidade tornou-se fóssil,
Exposta em painéis da lembrança.
Cumprimentamos a suspeita
Com uma reverência involuntária.
O semelhante virou hipótese.
O receio, autoridade sanitária.
Civilização armada de ausências.
Império erguido sobre trincheiras.
Chamam prudência aquilo que resta
Quando a coragem perde a linguagem.
Civilização alfabetizada
No dialeto da intimidação.
Toda fechadura acrescentada
Subtrai um homem da multidão.
Violência
E banalidade
Decadência
Da sociedade
Os jornais negociam catástrofes
Com requinte de dialeto litúrgico.
O horror recebe nova embalagem
Antes do próximo crepúsculo.
A milícia jamais governa sozinha.
Necessita de escribas e cenário.
Toda barbárie bem-sucedida
Primeiro conquista o vocabulário.
Não foi a bala.
Foi a pedagogia.
Não foi o cadáver.
Foi o costume.
Não foi a noite.
Foi a resignação.
Civilização armada de ausências.
Museu da coragem passageira
Enquanto o medo for a tônica,
Toda paz será estrangeira.
Toda muralha pode proteger bens .
Mas Jamais protegerá a consciência.
A cidade não morreu de violência.
Morreu de agressiva convivência
Violência
E banalidade
Decadência
Da sociedade
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Astrikos Katoikos
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