sob penhascos de calcário e abrasão
seu manto era tecid" /> sob penhascos de calcário e abrasão
seu manto era tecid"/>
Surprise Me!

Astrikos Katoikos - "No Deserto com João Batista"

2026-06-30 8 Dailymotion

Eu seguia João pelas ravinas,
sob penhascos de calcário e abrasão
seu manto era tecido de asperezas,
seu olhar transparecia compreensão...

Não buscava palácios nem mercados,
nem desejava fama ou distinção,
vivia junto aos cardos ressequidos
como alguém que abandonou a multidão.

Comia gafanhotos recolhidos
nas fendas arriscadas do Jordão,
e o mel das colméias escondidas
era todo o seu festim e provisão.

Muitos vinham escutar suas palavras,
magistrados, soldados, lavradores,
mas João falava igual para todos,
sem curvar-se aos poderosos ou doutores.

(Refrão)
Quem é capaz de morar no deserto?
Quem suporta tamanho despovoar?
Eu seguia João sem entendê-lo,
e entendendo deixava de pensar.

Às vezes eu olhava suas pegadas
sobre a areia sem fim da solidão,
e pensava que aquele homem severo
era mais vasto que a própria região.

Ele falava do machado junto à árvore,
da colheita futura e do lagar,
como quem já observava outra paisagem
que meus olhos jamais puderam divisar.

Certa tarde desceram peregrinos
vindos das aldeias junto ao mar,
e Batista permaneceu igual à pedra
que nenhuma ventania faz mudar.

Havia algo terrível em sua calma,
algo tão antigo quanto a criação,
como se cada frase carregasse
o peso oculto da consumação.

(Refrão)
Quem é capaz de morar no deserto?
Quem suporta tamanho despovoar?
Eu seguia João sem entendê-lo,
e entendendo deixava de pensar.

Então surgiu aquele galileu
que João fitou sem nada se explicarem,
e naquele instante tive a impressão
de ver dois infinitos a se cruzarem.

João seguiu menor aos olhos do mundo,
feito estrela cedendo o próprio lugar,
e eu vi que existe uma grandeza
que floresce ao aprender a recuar.

Depois vieram grades e sentenças,
salões dourados, vinho e corrupção,
e a voz que estremecia os descampados
foi julgada por capricho e ambição.

Mas recordo suas noites junto ao ermo,
o cinturão de couro, a refeição singela,
e a estranha liberdade que possuía
E realmente nada tinha além dela.

Hoje caminho velho pelas margens
onde o Jordão continua a deslizar,
e ainda procuro compreender o enigma
que vi tantos anos habitar.

Pois Batista jamais buscou felicidade,
riqueza, segurança ou aprovação,
parecia investigar o próprio vazio
oculto no centro de cada coração.

(Refrão Final)
Quem é capaz de morar no deserto?
Quem suporta tamanho despovoar?
Eu segui João por muitas estações,
e ainda sigo sem saber chegar.

As cidades prometem permanência,
os impérios juram sempre perdurar,
mas a voz que ouvi nas pedras áridas
continua muito além de terminar.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

✓✓ composição de 👇🏻
Astrikos Katoikos
Copyright ©️ 2022
Todos os Direitos Reservados ®
[versão alternativa 1 & 2]

#astrikoskatoikos #balada #joaobatista #joãobatista