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Nasceu no pó da miséria, no dorso seco da fé,
um povo que via em Antônio o lume do que inda é.
Cresceu da pedra o milagre, da fome o fio da mão,
e o céu rachado olhava o fim da revolução.
Refrão:
Chora, sertão, tua reza ferida,
tua alma perdida na cruz do chão.
Belo Monte queimou com a vida,
mas o sonho ficou no teu coração.
Marcharam mil fuzileiros contra a benção da oração,
a pólvora contra o rosário, a espada contra o perdão.
Mulher de ventre vazio, homem de olhar de insolação,
caíram sem entender que Deus não vive em quartel nem canção.
Refrão:
Chora, sertão, tua reza ferida,
tua alma perdida na cruz do chão.
Belo Monte queimou com a vida,
mas o sonho ficou no teu coração.
E o vento leva o lamento das vozes que não voltaram,
das velas que o tempo apagou, dos santos que profanaram.
Mas cada ossada que resta chora o mesmo refrão:
que a fé não morre na bala, só muda de direção.
Refrão final:
Chora, sertão, mas canta ainda,
tua sina é ferida e é canção.
Entre cinzas a esperança ainda finda,
mas renasce no pó: sertão, sertão.
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[versões alternativas]
✓✓ composição de 👇🏻
Astrikos Katoikos
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